Idosa espera há três anos por cirurgia em hospital público do TO: ‘Não estou aguentando de dor’

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Procedimento não é considerado de urgência e não tem data para ser realizado. Cirurgias eletivas estão suspensas desde o início da pandemia; governo prometeu retomada em setembro, mas mudou versão. Estado diz que cirurgias eletivas devem retomar neste mês, mas muda versão em nova nota
Pacientes que precisam passar por cirurgias eletivas estão preocupados com a demora e possível piora no quadro de saúde. É que os procedimentos não são considerados de emergência e estão suspensos desde o início da pandemia. Em uma cadeira de rodas, a dona de casa Maria Elena de Oliveira diz que está sofrendo enquanto aguarda, há três anos, por uma cirurgia no quadril. “Não estou aguentando de dor”. (Veja o vídeo)
Em todo estado mais de 5 mil pacientes aguardavam por procedimentos até o último mês de maio. A Maria Elena, por exemplo, precisa trocar uma prótese e não consegue andar. “Tomo tanto remédio para dormir, para passar a dor. Não durmo direito. Se o poder público pudesse fazer essa cirurgia o mais rápido possível porque não estou aguentando de dor”, lamentou.
A filha, Fernanda Amaral, conta que não sabe mais a quem recorrer. “Precisamos urgentemente que faça essa cirurgia porque ela sofre e nós filhos sofremos. Tem risco de perder a perna, tem risco de dar uma trombose e uma infecção generalizada”, afirmou.
A situação desta paciente é semelhante a milhares de pessoas, cujos procedimentos não são considerados de urgência.
Idosa está esperando por uma cirurgia há três anos
Reprodução/TV Anhanguera
Depois de muitas cobranças dos órgãos de controle, a Secretaria Estadual de Saúde até entregou um plano de retomada das cirurgias eletivas. O documento tem 24 páginas e redistribui os procedimentos de acordo com a capacidade de cada hospital regional.
Na semana passada o Estado afirmou que as cirurgias eletivas voltariam a ser realizadas em setembro, mas mudou a versão nesta segunda-feira (13). Agora, segundo o governo, “a efetiva consumação ainda depende de alguns fatores”. Não há uma definição sobre a data de retorno. Leia a nota na íntegra ao fim da reportagem
O médico Alexandre Pimenta reforça que a demora pode agravar o quadro dos pacientes. “Há muitos estudos que demonstram que essas cirurgias eletivas já indicadas, quando esperam um período superior a um ano tendem, de 20 a 30%, a virarem urgências. Então, fora o desconforto da saúde e social, é muito importante que sejam retomadas de forma imediata”, disse.
O que diz o Governo do Estado
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) esclarece que, em que pese o plano de retomada das cirurgias eletivas já ter sido entregue ao governador Mauro Carlesse para análises, a efetiva consumação ainda depende de alguns fatores. Entre os mais preponderantes, está a reavaliação da situação das unidades hospitalares, os leitos disponíveis e o quantitativo de servidores – pois o quadro funcional foi alterado desde o início da pandemia, quer seja pelo grupo de risco, quer seja por finalização dos contratos ou aposentadorias – como também, a estabilização dos estoques de sangue.
Simultaneamente, também é preciso avaliar os espaços adequados para atendimentos ambulatoriais; disponibilidade de salas cirúrgicas; existência de leitos suficientes para atendimento dos procedimentos de urgência e emergência, além de equipamentos de proteção individual e suporte para testagem prévia para Covid-19.
Além disso, é preciso frisar que alguns procedimentos são realizados apenas em Hospitais de “Porte III” e esses ainda estão ocupados por pacientes acometidos pela Covid-19. Ao ensejo, reiteramos que a Portaria do Ministério da Saúde que proíbe a realização das cirurgias eletivas – como forma de evitar a propagação do novo Coronavírus – ainda não foi revogada, cabendo, portanto, a cada unidade da federação fazer seus próprios estudos de viabilidade visando tal retomada.
Por fim, é necessário ainda o redirecionamento de recursos financeiros para este fim, o que já está sendo estudado e planejado pela Secretaria de Governo. Entretanto, o Governo do Tocantins reafirma, desde já, o firme propósito de retornar a prestação destes serviços o mais breve possível.
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Fonte: G1 Tocantins